27/06/2016

O VENCEDOR DO EMPATE

Não tenho, aliás, não temos todos nós, quase nada com o que foi chamado de Brexit, o plebiscito pela saída do Reino Unido (já não tão unido assim) da União Europeia.

A atenção que demos à evolução do processo foi superficial e mais impositiva da mídia do que de um interesse próprio, pró-ativo, nosso.

Publicado o resultado, a vitória da opção pela saída, as questões se tornaram, de repente, importantes, aparentemente cruciais, para todos nós.

Nós, Brasil, e o mundo, perguntam: e agora, como será? Bolsas e Libra despencam, Primeiro Ministro anuncia sua saída, bancos se agitam, economistas ganham espaço na mídia, imigrantes não sabem se ficam ou se vão (para onde?), cidadãos anglo-europeus temem por seu futuro como europeus, trabalhadores ingleses temem pelo futuro de seus empregos, e mais e mais...

A mim, cidadão brasileiro em nada afetado pela medida, tirante a facilidade de poder atravessar o canal da Mancha nas minhas férias sem ter que mostrar o passaporte, ficou um ponto de perplexidade só agora percebido. 

Como uma nação com tamanha importância na economia mundial, tem uma legislação que permite que uma decisão desta magnitude seja tomada por uma maioria simples (50% mais 1) de votantes?

Se 51,8% a favor da saída e 48,1% pela permanência, fosse resultado de uma consulta realizada por um instituto de pesquisa, o anúncio seria dado, mais ou menos da seguinte maneira: considerando uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, constata-se um empate técnico.

Quer dizer que a história irá registrar que um empate técnico foi responsável pelos britânicos terem tomado uma decisão de tamanha relevância para suas vidas pelas próximas décadas, com implicação até mesmo num esfacelamento do Reino Unido!!!???

Minha perplexidade não é única, pois mas de 3 milhões de ingleses já se manisfestaram a favor de um novo plebiscito. É mais ou menos como dizer: "Erramos. Acionar CTRL+Z."

Que nos sirva para não cometermos erro semelhante, pois, no final,uma realidade sempre se imporá: todo empate técnico termina com um vencedor.

22/06/2016

O MAU CHEIRO E O DELÍRIO COMPULSIVO!!!

O mau cheiro do caso Oi Telecom se espalha como se espalha pelo Brasil a rede de telefonia fixa que a empresa detém em concessão.

Se você meter o nariz nas relações da empresa com o governo petista, fede.

Se você meter o nariz na origem do jogo de notícias plantadas na mídia ao longo dos últimos anos, fede.

Se você meter o nariz nos aportes que a empresa recebeu de, principalmente, BNDES e Fundos de Estatais, fede.

Se você meter o nariz nas razões do silêncio da CVM, fede.

Se você meter o nariz para saber como uma empresa consegue chegar a uma dívida de R$ 65 bilhões, fede, valor este próximo ao que Levy, em passado recente, anunciou como sendo o rombo nas contas do... Brasil!!!!!

Se você meter o nariz para descobrir as relações de Lula e Lulinha com a Oi, fede.

Fiz uma pesquisa na rede e coletei algumas manchetes que listo cronologicamente, algumas acrescidas de comentário meu.



"A operação para a fusão entre Brasil Telecom e Oi é um evento cercado de informações não-oficiais, de declarações em off e de muitas dúvidas. Quando um ministro finalmente tenta dar uma informação oficial, como fez Hélio Costa, é logo desmentido pelas empresas e repreendido pelo governo. O governo, que por um lado é apontado pela grande imprensa como o grande fomentador do negócio, não se pronunciou. O BNDES, que parece ser o pilar financeiro da operação, não detalha as diretrizes que está seguindo. As empresas confirmam, oficialmente, apenas conversas. Então, para contribuir para o debate, sugerimos uma relação de perguntas a serem feitas às autoridades responsáveis por permitir ou não a fusão, aos fundos de pensão, ao BNDES e aos acionistas das duas empresas."

[A coisa já fedia em 2008. Não andou. Ficou em banho-maria até 2013, a dívida crescendo obviamente.]


[Não deu certo. Em 2014, voltaram à carga. Dilma, com certeza não sabia de nada.]


"A Oi é fruto de uma história repleta de absurdos. A montagem do consórcio que comprou a Telemar no processo de privatização foi chamada, pelo próprio ministro que coordendou a venda, de “rataiada”. Durante muito tempo, BNDES, Previ e Petros foram seus principais acionistas, mas, por motivos desconhecidos, renunciaram ao direito de dirigir a empresa em prol de dois sócios privados: Carlos Jereissati (irmão de Tasso Jereissati, liderança tucana) e Sérgio Andrade (da construtora Andrade Gutierrez e um dos principais financiadores das campanhas de Lula). O governo alterou o Plano Geral de Outorgas (PGO) exclusivamente para permitir que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, se transformando na atual Oi. E, aos poucos, os sócios estatais foram se retirando da empresa, em condições ainda não totalmente esclarecidas, e em benefício dos dois sócios privados nacionais e da Portugal Telecom. Uma história de escândalos que só fazem aumentar."

[A "merda" começou a se espalhar envolvendo outras empresas.]



[Aí a coisa começou a se concentrar na TIM. Manipulação na cotação das ações. CVM em silêncio.]



BRASIL 247 - 01/01/15 - OI FOI O GRANDE MICO DA BOLSA EM 2014

[A CVM? Em silêncio. Quanto à pretensa operação, micou também.]



"Tele ainda não assinou acordo com LetterOne , que desistiu de abrir escritório no país após crise no BTG."


[LetterOne é um Fundo Russo e, se envolve bilionários russos, a coisa não deve ser séria.]




[CVM em completo silêncio.]


[Então, o mercado já sabia, mas CVM, governo e outras entidades de mercado ficaram... em silêncio]



"No Brasil, não há perspectiva de mudanças no controle da TIM, disse uma pessoa ligada à operação brasileira."

21/6/16 - O Antagonista - CHANCE DE FUSÃO OI-TIM


"Na visão de um experiente analista de telecom de um banco europeu, uma eventual união com a Tim estaria entre as razões que motivaram os portugueses a pedir recuperação judicial da Oi. Em uma situação dessas, os reguladores brasileiros dificilmente seriam contrários ao negócio. As ações da Oi despencam 20%, enquanto as da Tim têm leve alta."

Algumas informações a mais você tem no artigo de opinião de O Globo, de 22 de junho de 2016, "Delírios estatistas e corrupção na quebra da Oi".

E ao mesmo tempo, disputando o melhor lugar na primeira página dos jornais, a descoberta de mais uma tática de nossa pior empreiteira:


E a cereja do bolo da corrupção:



SEM ACORDO DE LENIÊNCIA. A ODEBRECHT TEM QUE SER FECHADA, ENTERRADA.

Os psicopatas do Brasil entraram em delírio geral, irrestrito e compulsivo, e nós, cidadãos razoavelmente "normais", só agora estamos nos dando conta!!!


NUNCA É TARDE!


Em complemento, indico dois links:

1) o vídeo gravado pelo Francisco Madia que faz uma comparação entre o caso Oi e o caso do supersônico Concorde.

2) Alguns fatos graves por trás da entrada da Portugal Telecom na OI/Telemar, narrados por Aurélio Valporto, vice-presidente da Associação Nacional de Proteção dos Acionistas Minoritários 


21/06/2016

FINAL RÁPIDO PARA A LAVA-JATO

A questão prioritária em pauta nos meios políticos e na mídia neste junho de 2016, é quando e como terminar a Lava-Jato. Existem interesses espúrios em seu encerramento? políticos ainda não alcançados estão mexendo seus "pauzinhos"? Existe um cansaço, um desgaste esperado que enfraquece o andamento e os resultados? A operação já cumpriu o seu papel e é hora de nos dedicarmos a outras questões? É justo que fiquem impunes políticos corruptos pelo fato de que seja decretado o seu fim sem que se tenha chegado ao fim? Existe fim possível?

Eliseu Padilha, um ministro que ainda não foi demitido, "reverberou" sua opinião de que a operação "deve saber a hora de parar". Qual será essa hora é a pergunta inevitável que se segue. O que Padilha tem a dizer? Qual o critério a ser utilizado? Quantidade de presos? Tempo de processo? Volume de dinheiro resgatado de contas no exterior? Ou a sensação de que a continuarem a investigações não sobrará ninguém para gerir o país?

Fico com a última dúvida, para mim uma certeza. Simples. Até agora não se admitiu pública e peremptoriamente que:

1) A regra principal que elegeu a todos foi a da permissão de contribuição de empresas a partidos e campanhas políticas. Quando empresas não votam, empresas só têm um motivo para transferir valores significativos de seu caixa para o "sistema" político: investimento para obter rendimentos certos no futuro próximo.

2) Pior, a absurda abrangência de tal permissão a empresas estatais, uma permissão à imoralidade de, por ordem dos governantes, seus patrões, desviarem recursos que deveriam ser aplicados aos objetivos legais, lesando, inclusive, acionistas minoritários.

3) Que, sendo ridículo o volume de arrecado de pessoas físicas, e sendo insuficientes os recursos do Fundo Partidário, a fonte primordial nas últimas eleições se tornou a contribuição empresarial, contribuição esta única capaz de tornar qualquer candidato competitivo.

4) Que, portanto, TODOS os políticos eleitos em qualquer instância o foram dentro deste sistema, pois dele se aproveitaram, uns mais, outros menos. Conscientemente ou hipocritamente, já que há aquela parcela que diz só ter recebido ajuda do partido, sem reconhecer a origem 

A conclusão é uma só: TODOS cairão na Lava-Jato.

18/06/2016

RETRATO DA ADVOCACIA DILMISTA

Recebi no zapzap, está no Youtube e na primeira página dos principais jornais de 18/jun/16. Como a fala foi no Senado e já confirmada - e explicada (!!!) - pelo ex-Ministro, atual defensor (!!!) de Dilma, não há o que duvidar.









16/06/2016

A HIPOCRISIA EXPOSTA



"A Petrobras é a madame mais honesta dos cabarés do Brasil"

Sérgio Machado, ex-Senador, ex-Presidente da Transpetro, preso na Lava-Jato, delator bola-da-vez, em meio a seus depoimentos ao Juiz Sergio Moro.

14/06/2016

IMPEACHEMENT, UMA ARMA A SERVIÇO DE GOLPES

Deixemos a hipocrisia de lado. O processo de  impeachement, como está estruturado no Brasil, é um dispositivo legal para a realização de golpes de Estado por quem estiver na oposição. E quem lá está, são aqueles que não se conformaram com o fato de terem sido preteridos por, pelo menos, 50% mais 1 dos votos. Isto é a base, o resto, são circunstâncias favoráveis.
Lula, inconformado com a derrota de 1989, golpeou Collor com base em um presentinho de 4 rodas. As circunstâncias: um Presidente sem partido, tentando governar sem uma base de apoio parlamentar, com uma estratégia egoísta, centralizadora, conduzida pelo tesoureiro Paulo César Farias.
Lula não se conformou com a derrota de 1994 e levantou a bandeira do  impeachement. Não colou, Fernando Henrique era, e é, de outra estirpe, tem mais princípios éticos que os de Lula, se é que este os tem. Circunstâncias favoráveis, portanto, não existiram.
Lula, em sua gestão, só escapou do  impeachement por erro de avaliação do PSDB que, não querendo botar azeitona na empada do Roberto Jefferson, mesmo tendo o mensalão como razão mais que suficiente para retirá-lo do poder, as tais circunstâncias, optou por deixá-lo "sangrar". Deu no que deu.
Dilma está sendo posta no olho da rua pela soma de desejos de um derrotado Aécio e de um político em fim de carreira que vislumbrou um coroamento para seu currículo na história. As circunstâncias são frágeis para garantir o afastamento a se considerar as alíneas do artigo 85, mas profusas se considerados o arcabouço de asneiras e incompetências cometidas por um governo que fez o país saltar 10 ou mais anos... para trás.
Mas o que este impeachment de Dilma está nos mostrando é a absoluta insanidade de como estão construídas as fases processuais. Em sã consciência, me diga o leitor, você consegue imaginar que seja minimamente razoável para a Nação, um governante afastado, voltar ao poder quando tudo já ganhou outro rumo por 6 meses? Tem sentido passarmos meses assistindo a shows diários de hipocrisia, pois todos sabem que a decisão já está tomada, simplesmente porque revertê-la seria um ato de irresponsabilidade política? Vejam que a pergunta é genérica, válida para qualquer governante submetido a um  impeachement como ele está construído, e não especificamente a Dilma.
Se o processo de  impeachement não for revisto tão logo advenha uma mínima normalidade política, é certo que todo novo governante eleito será objeto de uma tentativa de golpe com enormes chances de sucesso. No atual regime de presidencialismo de coalizão, só há uma maneira de evitar o  impeachement: cooptar a maioria de dois terços do Congresso usando os artifícios conhecidos de nomeações e mensalões. 
No caso de Dilma, todos sabemos que ela será cassada. Ela sabe disso. Lula sabe. Mas vamos continuar sangrando porque, como disse um integrante atual do Alvorada respondendo a um jornalista, ela "só pensa nela, nela e nela". O país que se exploda.
Obviamente sempre há a possibilidade de reversão do que já foi decidido em fase anterior, mas, neste caso, ela é remota porque a consciência do Brasil como prioridade irá pesar sobre os senadores na hora do voto decisivo independente de qualquer outra coisa, mais alto inclusive que um improvável julgamento de injustiça que estaria sendo cometido, como é entendimento dela.
Deixo minha proposta à luz dos ensinamentos que este traumático processo está a nos deixar:
  
1 - Revisão das razões que possam ensejar um pedido de início de processo de  impeachement, adicionando ou excluindo.
2 - Definição clara do papel e das responsabilidades do vice no governo, de modo a determinar quando ele é cúmplice e quando é partícipe.

3 - Análise e votação do pedido por uma comissão mista, câmara e senado, com amplos direitos de acusação e defesa.
4 - Imediata votação do parecer no Congresso, sem possibilidade de acusação ou defesa, exigindo-se maioria de dois terços.
5 - No caso do Congresso decidir pelo impedimento, e considerando que o governante foi eleito pelo voto popular, é absolutamente necessário, fundamental e coerente que se realize um referendo popular, com voto facultativo, exigindo-se, para confirmar a decisão, a maioria de dois terços dos votantes.
Portanto, deixa de existir o afastamento provisório - agora peremptoriamente comprovado não ter sentido -, passando a haver tão-somente o impedimento definitivo ou a manutenção no poder, alternativas sem qualquer consequência para a normalidade do funcionamento do Estado em todas as suas instâncias.
Se algo neste sentido não for feito proximamente, o  impeachement continuará a ser a arma letal a serviço de golpes de Estado por quem desejar desestabilizar a normalidade democrática.
  
Tem algum político por aí que concorde minimamente com estes argumentos e tenha interesse em levá-los para um campo de discussão mais relevante?