28/07/2017

EPICURO, O DEFENSOR DA HUMANIDADE

Eis que sou presenteado pelo acaso com a oportunidade de conhecer Epicuro, filósofo grego que viveu entre 341-270 a.C. e colocou sua vida em defesa da humanidade de todos os homens e mulheres. O livro "A doutrina de Epicuro" é um trabalho de Benjamim Farrington publicado originalmente em 1967, portanto, a 50 anos atrás.

Eis o que selecionei de mais significativo.

[Entre aspas e italizado, mas sem referência a autor, são sempre falas/escritos de Epicuro. Todos os grifos são meus.]

Epicuro
Epicuro, de Atenas, a mais famosa das cidades-estado gregas, fundador de um movimento que se difundiu por todo o mundo mediterrâneo e durou 700 anos, cujo objetivo era fazer a humanidade voltar à felicidade depois da devastação das guerras.

O princípio fundamental de seu pensamento era o de que uma sociedade feliz deve basear-se na "amizade", um acordo mútuo para não infligir nem sofrer injustiças, e não na "justiça", isto é, numa constituição ideada por um legislador e imposta por sanções.

"Devemos meditar sobre as coisas que fazem a nossa felicidade."

  
"Vã é a palavra de um filósofo que não cura nenhum sofrimento do homem."

Um epicurista deveria ser meigo e afável.

"O motivo pelo qual Epicuro se mantinha afastado da vida pública", diz seu biógrafo, "era seu excepcional interesse pela igualdade."

Seus adeptos eram proibidos de participar da vida pública.

Para Epicuro, nenhuma legislação penal, se pudesse ser aplicada, forçá-lo-ia a aceitar a cosmologia de Platão. (...) À moderna religião dos deuses estelares [de Platão], opôs o que chamou de "a ideia comum de Deus gravada na mente de todos". (...) a autoridade dominadora do legislador foi abandonada em favor do principio do consentimento voluntário.

Epicuro estava basicamente interessado em defender a autonomia da vontade individual. (...) Embora fosse inimigo implacável do que chamava de "o mito" (nome pelo qual se referia à doutrina de que os deuses controlam todos os fenômenos da natureza), afirmava que "seria melhor conformar-se com o mito sobre os deuses do que ser um escravo do fatalismo dos filósofos naturais". (...) A sua concepção do átomo levava em conta um mundo de natureza animada, diferençado daquele por ser, em vários graus, o teatro da vontade.

Foi em Cólofon, por volta de 312 a.C. que nasceu o movimento epicurista. (...) Seu sistema era uma resposta prática ao problema que lhe era imposto por todas as experiências da sua vida, a saber: descobrir "de que modo os homens poderiam defender-se dos homens".

"Devemos nos libertar da prisão dos negócios e da política. (...) Alguns desejos são naturais e necessários, outros, naturais, porém desnecessários, alguns não são nem naturais nem necessários, mas apenas devidos à imaginação ociosa."

O ponto fundamental da ética epicurista é a interiorização da virtude pela exaltação do papel do sentimento sobre a razão.

"Quando afirmamos que o prazer é a meta (...) o que temos em vista é o ser livre da dor no corpo e da angústia na mente. A isso damos o nome de vida agradável, e não é obtida pelo beber e festejar contínuos, pela satisfação dos nossos apetites com rapazes e mulheres, ou pelos banquetes dos ricos, mas pelo raciocínio sóbrio, pela procura paciente dos motivos para escolha e recusa e pela nossa libertação das falsas opiniões que mais contribuem para prejudicar a nossa paz de espírito."

Nos círculos governamentais, o direito do estado de ditar as crenças dos cidadãos era a norma aceita. (...) Dentro do movimento epicurista, a diferença entre estado e religião já era um fato consumado.

"A morte, o mais aterrador dos males, não é nada para nós; enquanto vivemos a morte não existe, quando vem a morte, nós não existimos."

"Os seres humanos não devem ser coagidos, mas persuadidos."
  
Em sua literatura epistolar endereçada às suas comunidades espalhadas no Oriente, Epicuro surge como o precursor de São Paulo.


Cícero
Cícero (106-43 a.C.): "Pelo uso das nossas próprias mãos criamos dentro do reino da Natureza uma Segunda Natureza para nós mesmos."

Ensina o pontífice Cevola a Cícero: "É conveniente que o povo seja iludido em questões de religião."

Diz Cícero: "A constante necessidade que tem o povo do conselho e da autoridade da aristocracia mantém o estado coeso."

Faustel de Coulange, em sua obra La Cite Antique, diz: "Na cidade antiga, o estado e a religião eram tão completamente unos que era impossível não só imaginar um conflito entre eles como também distinguir um do outro."

E nas palavras de Estrabão (64 a.C. - 24 d.C.), o geógrafo: [os governantes] "precisavam controlar o povo pelos medos supersticiosos e estes não podem ser manifestados sem mitos e portentos."

Crítias, brilhante escritor e político ativo, em 403 a.C., coloca o seguinte discurso no orador de uma de suas peças: "Houve uma época em que a vida de um homem era desregrada, selvagem e estava à mercê da força. Nenhuma recompensa vinha do bem e nenhum castigo, do mal. Creio que foi então que os homens imaginaram leis para castigar o pecador, de modo que a justiça pudesse exercer igual domínio sobre todos e frustrar a violência. Assim, o pecador era castigado. Mas posteriormente observou-se que as leis só atingiam a violência manifesta, enquanto o crime oculto escapava. Foi então que algum homem mais inteligente do que seus pares inventou o medo dos deuses, para que os homens gemessem as conseqüências até mesmo dos seus feitos, palavras e pensamentos secretos. Nasceu a religião.

Platão
Em ensinamento de Epinomis, o décimo terceiro livro das Leis, de Platão: "os homens, que são feitos de barro, devem aprender com as estrela, que são feitas de fogo. As estrelas são a encarnação da alma;

A descrição de Atenas por Plutarco (46-120 d.C): "Aos nobres estavam afeitos o controle da religião, o suprimento das magistraturas, a exposição da lei e a interpretação da vontade do céu."

Políbio (200-118 a.C.): "As massas em todos os estados são instáveis, cheias de desejos licenciosos, ira irracional e paixão violenta. O melhor que se pode fazer é refreá-las pelo medo do invisível e outras imposturas. Não foi gratuitamente, mas com intenção deliberada, que os homens de outrora introduziram nas massas idéias sobre os deuses e opiniões sobre a vida futura."

Diz Políbio: "Não foi sem motivo, mas deliberadamente, que os homens de outrora introduziram nas massas noções sobre os deuses e opiniões sobre a vida futura."
  
Tito Lívio (59 a.C. - 17 d.C.): "A melhor maneira de controlar um povo ignorante e simples é enchê-lo de medo dos deuses."

Aristóteles
Enquanto Platão salientava a realidade do universal e permitia ao particular apenas uma existência indistinta e derivativa, Aristóteles foi o primeiro a ver a necessidade de considerar a realidade como individual, e o indivíduo como o real.


Aristóteles concluiu que a noção de um bem universal é uma ilusão. Devemos perguntar "Bom para quem, para que finalidade e quando?". Para ele nenhum legislador pode promulgar uma regra universalmente válida. [E concluiu:] o que é alimento para um homem, para outro é veneno.

Para Aristóteles a função do estado não é esmagar o indivíduo, mas proporcionar-lhe o ambiente em que ele possa atingir o seu potencial mais elevado.

Aristóteles, como Platão, aprovava os deuses antropomórficos como "um mito criado para garantir a obediência da multidão e uma atenção adequada às leis".
  
O ensino filosófico de que os sentimentos são maus em si próprios, fazem parte da teoria política de que a sociedade justa só pode existir se a minoria monopoliza o poder e defende esse monopólio patrocinando ou tolerando a crença em deuses caprichosos e irados (...). Epicuro atacou todo este conjunto de ideias.

A Igreja Cristã, no poder, revelou-se um grupo de perseguição, eliminando a liberdade de pensamento e impondo, pela força, se necessário, a uniformidade de crença. (...) 


PREDECESSORES, CONTEMPORÂNEOS E POSTERIORES A EPICURO

Sólon (640-558 a.C.)
Pitágoras (570-495 a.C.)
Clístenes (565-492 a.C.)
Sócrates (469-399 a.C.)
Platão (428-348 a.C.)
Crítias (460-403 a.C.)
Aristóteles (384-322 a.C.)
Epicuro (341-270 a./C.),
Políbio (200-118 a.C.)
Cícero (106-43 a.C.)
Estrabão (64 a.C. - 24 d.C.)
Tito Lívio (59 a.C. - 17 d.C.)
Plutarco (46-120 d.C)
Alexandre de Abonútico (105-170 d.C.)


A Editora Unesp publicou "Carta sobre a Felicidade", escrita por Epicuro para Meneceu, um de seus discípulos. Selecionei algumas passagens, mas antes, lembro que Epicuro propaga que seu objetivo é ajudar a tornar feliz o home que pratica uma decidida exortação ao exercício da filosofia.

"Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz."

"Os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas."

"Acostume-se à ideias de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residcem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações."

"Não há nada de terrível em deixar de viver."

"Quando a morte está presente, nós é que não estamos."

"O conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo."

"De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir."

[Para Epicuro] "o prazer é nosso bem primeiro e inato."


"Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta."

"Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres (...) que consistem no gozo dos desntidos (...), mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma."

"De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem (...); é dela que originaram todas as demais virtudes."




Se você também não gosta de hipocrisia na política, você precisa conhecer o 
PARTIDO NOVO 
 https://novo.org.br

23/07/2017

CONHEÇA O PARTIDO (DO) NOVO

Aqueles que acreditam que um país é o que seus cidadãos fazem para que ele seja; aqueles que têm a convicção de que é no âmbito dos municípios que nascem as prioridades que se tornarão nacionais; aqueles que creem que precisamos de menos ideologia e mais dinamismo e iniciativa frente aos desafios globais; aqueles que desejam a liberdade de pensamento oriunda da responsabilidade de agir; aqueles que estão certos de que todos devem ter voz e que radicalismos estão na base de todas as grandes desgraças ocorridas na história da humanidade; e, portanto, está entre os que não se identificam com ideologias, à direita ou à esquerda, mas querem contribuir com a busca de um novo sistema político e de governança para o Brasil, então você deve conhecer o


Entre outros princípios, o Partido Novo é o único que não utiliza dinheiro público para sua manutenção, sendo a contribuição dos filiados a fonte de recursos para a manutenção e crescimento de um projeto de tornar o Brasil um país a que haveremos de nos orgulhar.

Se você também não gosta de hipocrisia na política, você precisa conhecer o 


16/07/2017

SUPERFICIALIDADE À DIREITA

Em diversas postagens procurei mostrar o que chamo de superficialidade da extrema esquerda. Semana passada recebi uma mensagem pelo whatsapp que me dá a oportunidade de tratar sobre o primarismo da extrema direita (até como prosseguimento à postagem anterior sobre recente declaração de Bolsonaro).

O texto em questão, com o sarcástico título "Militar é incompetente demais!!!", me chegou como de autoria de Jabor. Não é. É de autoria de Anselmo Cordeiro e o original (o que caiu na rede foi apocrifamente alterado) está publicado em http://net7mares.blogspot.com.br/2011/06/normal-0-21-false-false-false.html  (originalmente publicado e Junho/2009, 2º mandato de Lula) e na época circulou como de autoria de Millor Fernandes, um ferrenho opositor dos militares. Voltou a circular entre 2013 e 2014 e, pelo que parece, agora novamente.

A hipocrisia do autor escondeu dos incautos fatos desconhecidos daqueles que não viveram uma vida adulta nos 25 anos de ditadura militar e, por isso, é necessário que você, primeiro, conheça sobre o que estou falando. Eu vou usar o mesmo sarcasmo do Anselmo para ficar no mesmo tom.


Que maravilha a Transamazônica!!! É uma obra de que os brasileiros devem se orgulhar. Graças às suas pistas, duplas e de um asfalto Alemão, diga-se, podemos atravessar o Nordeste e o Norte do país, atravessando Peru e chegando às praias do Equador e ao mercado consumidor do Pacífico. Que maravilha!!! Conseguimos desbravar metade do caminho, 4 mil quilômetros, pela bagatela de 7,7 bilhões (valor atualizado) !!!??? Nada mais competente. É uma pena que os governos incompetentes que se seguiram não deram continuidade a esta que ficou conhecida como uma das grandes "obras faraônicas" da tão saudosa ditadura militar!

Mas as imagens falam mais que minhas toscas palavras.



Os grandes feitos ditatoriais não pararam na lama. Hoje temos uma indústria pujante de computadores graças à iniciativa de nossos competentes governantes militares que, para acelerar o crescimento de nossa indústria e estimular o desenvolvimento de novas tecnologias, implementou um grande projeto de "reserva de mercado" para vários setores, especialmente o de informática. Hoje, como todos sabem, nossos notebooks e smartphones são tão requisitados que não se consegue encontrar um para se comprar!!!

E o Proálcool? Esse programa deu tão certo como substituto da gasolina, que é o principal responsável pela vertiginosa queda do preço do barril de petróleo a que temos assistido nestes recentes anos! Além, de claro, fazer a festa de nossos bravos usineiros. Só não se consegue explicar porque o preço nunca cai abaixo dos 70% do preço da gasolina que é o limite para que seu uso compense em alguma medida. O legado efetivo deixado pelos militares são os subsídios concedidos ano-a-ano aos produtores de etanol: 2010 a 2013 e 2014 etc.)

Não esqueçamos de nossas usinas nucleares. Angra 1 foi construída em prazo recorde. Do projeto (1970) ao início de operação (1985) foram apenas 13 anos!!! Foram gastos tão-somente 45 bilhões de dólares na construção de Angra 1 e 2!!! Para se ter uma visão mais clara da competência da gestão militar, no governo Dilma, o ex-ministro Lobão, teve a ideia de construir mais 60 usinas nucleares ao custo, absurdo, de apenas 6 bilhões de dólares cada uma!!! 

Não importa quem vai conduzir o país num futuro qualquer, importa saber como o fará. Assim como não são líderes populistas como Lula ou nacionalistas de extrema direita como Bolsonaro que conduzirão o país em uma direção próspera, muito menos os militares. O militar tem formação para a defesa da pátria contra forças invasoras de qualquer natureza (traficantes, contrabandistas, exércitos estrangeiros e, em dias de paz, defender a constituição e a estabilidade do governo civil); democracia não faz parte da vida nos quartéis; não questionar é o princípio básico do soldado; as estratégias de defesa em que são treinados, não servem (em sua maioria) à administração no tabuleiro das nações e das grandes corporações industriais e comerciai. E por entenderem isto em determinado momento é que conduziram o processo de devolução do poder aos civis. Portanto, individualmente somos todos "passageiros", os mandatos têm prazo certo para terminar, e o que fica é uma sociedade inteira pagando pelos desatinos de líderes psicopatas.

O que os governos ao longo da ditadura militar fizeram foi gastar um dinheiro que não tinham. Perca um tempo se informando sobre as décadas de 60 e 70 para saber que eles não podiam gastar (e desperdiçar, como o foi com Transamazônica, Angras 1 e 2 e outras realizações desastrosas) porque a conjuntura econômica nacional e mundial não era favorável. Gastaram e criaram 2 fatos históricos: "o milagre econômico" e uma "década perdida". Mais do que isso, as bases da explosão inflacionária dos anos 80 está, exatamente, uma década antes quando detinham a exclusividade do poder. Assim como a crise que estamos vivendo é o legado do pacote de 13 anos de Lula e Dilma que gastaram sem ter.

Juscelino fez, nas palavras dele, em 5 anos o que outros levariam 50. Construiu Brasília e estradas federais. Gastou o que não tinha e o resultado final foi 64.

O Rio de Janeiro está à míngua. Hoje nosso estado é o exemplo mais evidente das consequências de se governar sem pensar que o vento pode mudar de direção. O dado mais eloquente é simples: o Estado do Rio arrecadou em 2014, 97 bilhões de reais; em 2016 foram 67 bilhões. Veja este gráfico da arrecadação total de royalties:


A superficialidade, quando devemos tomar decisões relevantes para nossas vidas, para nossa família, para nosso negócio, para nosso país, nunca é boa conselheira. Hoje, no mundo globalizado demandando soluções para questões extremamente complexas, é melhor termos um pouco mais de
cautela ao definir nossas posições. Entramos em um mundo onde convicções precisam ser flexíveis. O relevante de hoje é o irrelevante de daqui a pouco. O futuro que nos espera, queiramos ou não, será resultado das decisões que tomarmos hoje. Se é absolutamente justificável eleger para o congresso um representante classista como Bolsonaro, é uma grande tolice, como fizemos, achar que uma liderança classista como Lula vá ter a visão de país. Bolsonaro e Lula, ambos se guiam pelo "nós contra eles".

Eu vivi de 1969 a 1972 no campus da USP. Morei em pensões - uma delas a 200m de onde Marighella foi morto, e repúblicas - uma a 300m de onde um fusca foi implodido por uma bomba detonada no colo do carona-terrorista que ia deixá-la sabe-se lá onde e matar sabe-se lá quantos. Eu os odiei como odiava os agentes do DOPS que um dia bateram à porta da república para nos questionar sobre uma "denúncia" feita pelo porteiro do prédio que não gostava da nossa cara barbuda. Por razões que não me lembro, não entramos para a lista de desaparecidos.

Por razões diferentes, eu  não posso partilhar de nenhuma ideia de volta, seja de militares, seja de petistas. Estou com os militares: ocupar o governo a qualquer pretexto nem pensar. Estou olhando para a frente. No retrovisor só estou vendo o que estou deixando para trás. Já muito longe ficou a tal da ideologia. 

Até o próximo.

Para um pouco mais de informação: 





Descubra, por exemplo, que no Partido Novo...

"... só poderão ser candidatos aos Diretórios Estaduais ou Distrital os filiados de ilibada
reputação, notória visão política, aptidão para a gestão e reconhecida identidade com
os objetivos e princípios do NOVO, vedada em qualquer hipótese a acumulação de cargo
em mais de um Diretório."




12/07/2017

BAUMAN, BORDONI E AS ORIGENS DA CRISE BRASILEIRA

Carlo Bordoni e Zygmunt Bauman (1925-2017)
Quem recentemente passou por aqui, sabe que estou em uma fase de ler o que Zygmunt Bauman nos deixou de herança (quem chegou só agora, veja postagens anteriores). Hoje acabei de ler "Estado de Crise" (2014/2016), um trabalho dele com seu amigo Carlo Bordoni, sociólogo e jornalista italiano, em forma de diálogo.

A seleção que fiz teve um só foco: frases, análises, avaliações que nos remetem à comparação/reflexão com o momento Brasil. E, em especial, a acontecimentos ocorridos e a ocorrer neste julho de 2017.

No livro, uma referência ao Brasil é feita apenas ao final do livro quando listado junto a outros países em que ocorreram movimentos de massa nas ruas.

Como sempre, entre colchetes "[]", interferências minhas.


CARLO BORDONI

Agora, (...) todo e qualquer prognóstico de solução [das crises] é continuamente atualizado e, em seguida, adiado para outra data. Parece que nunca vai acabar.

Nós temos de aprender a viver em crise, (...) pois a crise está aqui para ficar.

ZYGMUNT BAUMAN

Na percepção da população, o Estado foi rebaixado da posição de motor mais poderoso do bem-estar universal àquele de obstáculo mais odioso, pérfido e prejudicial.

Em sua condição presente, o Estado não dispõe dos meios e recursos para realizar as tarefas que exigem a supervisão e o controle efetivos dos mercados, para não falar de sua regulação e administração.

A presente crise difere das suas precedentes históricas à medida que é vivida numa situação de divórcio entre poder e política.

CARLO BORDONI

"O problema vem de fora, mas o problema tem de ser resolvido, para o melhor ou para o pior, no local."

A antipolítica resulta em populismo e nacionalismo, ambos perigosos e sujeitos aos mais devastadores desvios. Com frequência ela se mostra o prelúdio de regimes tirânicos e autoritários, como demonstra a história recente.

Como certos tipos de populismo, o nacionalismo hoje não vai além do drama de uma opereta tragicômica, exagerada pela mídia para entretenimento das massas que com justeza estão muito aflitas.

ZYGMUNT BAUMAN

Os governos (...) não são convincentes nem destinados a durar; na melhor das hipóteses, espera-se/reza-se para que sobrevivam até (...) a próxima abertura do pregão da bolsa de valores.

Todos os governos democráticos estão expostos a duas pressões contraditórias:

1 - a pressão dos eleitores que sejam capazes tanto de por governos em exercício quanto de tirá-los;


2 - a pressão de forças globalizadas, livres para flutuar com pouca ou nenhuma restrição no "espaço de fluxos" extraterritorial sem política.


Os cidadãos acreditam cada vez menos que os governos sejam capazes de cumprir suas promessas.

Que força há de poder preencher o posto/papel de agente da mudança social?  (...) Há uma abundancia de tentativas de encontrar novos instrumentos de ação coletiva (...) instrumentos que tenham mais chances de satisfazer a vontade popular (...). 

De uma maneira ou de outra, a indignação aí está, e nos indicaram uma maneira de descarregá-la, ainda que temporariamente: ir para as ruas e ocupá-las. 

[Não faltarão aventureiros ansiosos por propor]: "Confiem em mim, sigam-me, e eu os salvarei da miséria em que vocês afundarão ainda mais do que hoje."

Nós sabemos do que estamos fugindo, mas não temos a menor ideia de onde vamos. (...) A história é um cemitério de esperanças não realizadas e de expectativas frustradas.

De uma maneira ou de outra, a indignação está presente, e estabeleceu-se um precedente para descarregá-la: sair às ruas e ocupá-las.

O fenômeno "povo nas ruas" mostrou até o presente a sua capacidade de afastar alguns dos mais odiados objetos da indignação das pessoas, figuras culpadas por seus sofrimentos (...) Entretanto, ele ainda tem de provar, (...) que também pode ser útil no trabalho de construção que vem em seguida. (...) os lideres de países democráticos e as instituições que eles criaram para guardar a perpétua "reprodução do mesmo" parecem até aqui não ter percebido e não se preocupam; (..).

As pessoas que ora tomam as ruas (...) sabem com certeza o que elas não gostariam que continuasse a ser feito. O que elas não sabem, contudo, é o que precisa ser feito em vez de...

Líderes políticos potenciais não pararam de nascer. São as estruturas políticas em deterioração, decadentes e impotentes que os impedem de amadurecer

Por que se dar ao trabalho de quebrar a cabeça tentando responder à pergunta: "O que fazer?" se não há resposta para a pergunta "Quem irá fazê-lo?"

CARLO BORDONI

O evento mais recente, o atual, o novo, representa a face da verdade e derrota o evento anterior. 

O Estado [atual],  (...) está tão somente preocupado com sua própria estabilidade.

A democracia chegou a ser usada [como] um biombo para cobrir os piores tipos de opressão do homem pelo homem.

Há na democracia um caráter de ditadura da maioria sobre a minoria. [Não nos dias de hoje pelo que se observa nos mais importantes e recentes eventos eleitorais ocorridos no mundo. Em quase todos, se não todos, uma minoria impôs sua vontade à maioria, principalmente pelo alto nível de abstenção.]

O fato de que todos possam votar não garante, em si, uma vitória popular, nem que a forma de governo produzida por eleições seja realmente do interesse do povo.

O marxismo entendia democracia como "ditadura do proletariado", mas depois delegou a gerência do poder político a uma pequena minoria, a uma elite privilegiada.

Indiferentemente de quanto a fórmula "democracia representativa" possa ser boa, (...) é evidente que a crise da modernidade trouxe com ela a crise da democracia representativa.

A alta taxa de sindicalização nos países ocidentais é responsável por incitar a alta do preço da mão-de-obra e introduzir um conjunto de regulamentações de proteção e defesa do emprego, a ponto de forçar o capital a mudar de lugar.

ZYGMUNT BAUMAN

Alexandra de Felice, famosa comentarista do mercado de trabalho Frances, prevê que, se prosseguirem as atuais tendências, um membro regular da geração Y será obrigado a mudar de chefe e de empregador 29 vezes ao longo de sua vida de trabalho. 

CARLO BORDONI

A sociedade desmassificada atingiu um nível perfeito de igualdade: uma sociedade de indivíduos empobrecidos, gratificados pela indústria de alta tecnologia e pelo grande conforto da comunicação interpessoal, mas que são incapazes de exercer política autorregulada, porque ela foi tirada de seu controle.

O cidadão comum só pode ter responsabilidade no âmbito da política local (...).

Que necessidade há de representação no nível mais alto (considerando que o cidadão comum não entende as complexas questões econômicas de âmbito global e não tem competência para tomar decisões) quando a democracia - isto é, a real democracia, aquela que realmente interessa ao povo - é realizada plenamente nas questões do dia a dia?

Não podemos falar da existência de um cidadão global, mas apenas de um cidadão local afetado pela globalização.


Volto eu. Em resumo, estamos em um novo mundo, onde:

1 - A globalização tirou dos políticos a tarefa de definir prioridades do que fazer. Isto agora é resultado dos interesses dos mercadores produtores de bens.

2 - A facilidade de fluxo de capitais, completou o serviço tirando do Estado-nação o controle e o poder de fazer. Transferências de grandes volume de capital têm o poder de desequilibrar governos e quebrar Nações.

3 - As tecnologias de comunicação reduziram o tempo ao imediato, o que, praticamente, acabou com a reflexão sobre as coisas e o amadurecimento de opiniões/posições.

4 - Na modernidade líquida de Bauman, as certezas, a solidez das convicções, não existem mais. Agora tudo é passageiro, fluido, fugaz, passam como as águas no leito do rio.

5 - Dado o volume de informação injetada em nossos cérebros por minuto, o cidadão comum se tornou incapaz de sintetizar/entender as razões para seus infortúnios e o incapacita para o voto em uma democracia do passado (vontade da maioria) hoje dominada pela minoria que tenha mais sede de poder. 

6 - Na auto-estrada da história das Nações não há placa de retorno porque a pista é única em uma só direção. Todos os povos estão forçados a descobrir um novo sistema (veículo) capaz de  nos levar com segurança na travessia da vida tendo que lidar com as novas variáveis que aí já estão e as que nem imaginamos que virão, mas certamente virão.

A leitura completa é essencial para quem quiser entender o que está acontecendo no mundo de hoje. Se você não quiser comprar o livro, eu achei aqui todo o conteúdo de "Estado de Crise".



Descubra, por exemplo, que:

"A gestão partidária não pode ser feita por candidato ou por ocupante de cargo eletivo."


08/07/2017

IGNORAR AS CAUSAS É MAIS FÁCIL PARA CONQUISTAR VOTOS

Faz algum tempo que parte de nós vem recebendo vídeos do Bolsonaro, já em campanha para 2018. De minha parte, não repasso coisas que considero inúteis para a construção de um país melhor, e, por achar que não vale a pena, também não retorno com minha opinião. Desta vez, porém, este que vai abaixo, passou dos limites e me força a mostrar a hipocrisia desse militar, hoje na reserva, tentando ampliar sua base eleitoral, até aqui essencialmente oriunda dos quartéis.


Não percamos tempo em comentar o palavreado chulo, apenas imaginar este sujeito dando declarações como presidente da República!!!

No evento mostrado, em resposta a alguém que lhe pergunta sobre as desumanas condições das celas super-super-lotadas, dá a seguinte solução: "É só você não matar, não estuprar, não cometer latrocínio que tu não vai pra lá, ...". O primarismo do raciocínio é de assustar, pois esquece que nossas celas estão cheias de presos sem processo, sem julgamento, sem sentença!!!

Evidente que se não há criminoso não há crime!!!! Qual a novidade disso? A primeira réplica que me ocorre é saber como ele pretende mudar a natureza humana. Sim, pois existe uma parcela de humanos que nascem e crescem com um gene que os faz psicopatas. Uns, por terem nascido em berços de mais "qualidade", se tornam políticos corruptos, outros, os que nascem no chão frio do barraco, tendem a ficar à margem da sociedade dita civilizada, por isso são chamados de "marginais".


O pré-candidato em pauta, precisa explicar o que devemos esperar quando o Estado brasileiro não consegue dar escola, a saúde é o caos que vemos todo dia no jornal da manhã, e falta trabalho para 14% da população brasileira economicamente ativa. O que esperar de um Estado cuja justiça trabalha prioritariamente para resolver os conflitos das camadas mais abastadas, e colocar na cadeia qualquer transgressão de pequena monta?

E já que ele foi militar por boa parte da vida, deveria saber que cuidar das fronteiras é uma atribuição exclusiva de exército, marinha e aeronáutica. Entretanto, diferente da quase totalidade dos países que enfrentam o tráfico, os nossos traficantes recebem diariamente novos armamentos, armamentos estes fabricados para uso em guerra!!!

O que esperar, portanto, do indivíduo, psicopata ou não, privado "do tudo de bom que a vida oferece" como é mostrado freneticamente pela publicidade em todas as tantas telas a que temos acesso várias vezes ao dia? Será que Bolsonaro já ouviu falar no sentimento de frustração causado pelo reconhecimento da incapacidade de conquistar uma mínima parcela do que vê e ouve pelos caminhos "corretos"?

Dando amplitude à lógica, creio que Bolsonaro gostaria mesmo é de colocar a todos frente um pelotão de fuzilamento. Assim, os contribuintes não precisariam arcar com o custo médio de 2 mil reais por mês, por preso. Isso sem contar o benefício do salário reclusão!!!

Mas se tais propostas podem ser atribuídas a um pensamento de extrema direita, me chega um outro vídeo que explora uma das tantas propostas da extrema esquerda politicamente correta (sociologicamente incorreta). Assistam. E você vai entender um pouco mais sobre as causas do que acontece hoje, principalmente, no Rio. Fico por aqui.



P.S.: Roberto Motta se atribui um pensamento e militância de esquerda.



Descubra, por exemplo, que no Partido Novo suplentes e vices...

"...são escolhidos em convenção, de modo independente da candidatura ao cargo principal.."